sábado, 29 de setembro de 2007

E o meu grupo musical...


Propaganda vale?




Amor meu, música, guitarras, teclados, vozes e meus sopros pra esse mundão de Deus.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Maria e João.

Agora era fatal, que o faz de conta terminasse assim...

Lutei, lutei tanto para saber o que eu realmente sentia. Se era o faz de conta que fazia de nós rei, rainha e suas canções, ou se era eu, retirante, que no suor do meio-dia, olharia sempre o companheiro com olhos de ternura e amor.
Lutei cada dia para descobrir a razão de não largar essa terra fria e plácida pelo meu Recife encantado. A cada sorriso dele, eu corria pro sertão... A cada briga, eu me via sentada no trono, triste, sem minha vida em mãos.

Chorei e cantei por dias e noites. Pedi ao ponto luminoso que me mostrasse o caminho. Pedi ao meu coração para desvendar o mistério dos olhos azuis, que me dissesse se o amor existia, se tudo não era conto. Ou faz de conta.

Eu, nós dois e o pôr-do-sol, nós dois e os planos pro futuro.
Nunca obtive resposta alguma, talvez fosse da vida, talvez, se amor fosse, se amor se fosse, seria cheio das incertezas... Obrigada a andar sobre uma fina corda, sobre a imensidão de uma queda atrativa.

Agora era fatal, que o faz de conta começasse assim.

Eu louca, eu assim, num dia de sol, colhendo avelãs, vendo ele quase caindo, escorregando nas folhas caídas, a canina correndo feliz pelo campo. Medíocre como o castelo e os retirantes, em toda a sua glória e desgraça jamais poderiam ser. Ouvi a voz do meu coração pela toute primeira vez.

É, é ele sim. E não resta a menor das inquietudes.

E eu adoro ser a tua Maria, João.


João e Maria.

Tanta coisa vai se desenhando pelos meus dias...Uma vontade louca de ser pragmática, lenta, sorridente, contraditória. Uma vontade louca de contar para todo mundo as mil e uma facetas recentemente descobertas no meu ser. A vontade de sumir no mundo, de cair em mim, de cair no meu amor, de deixar a vida fazer de mim o que bem quiser. Vontade de fazer, fazer, por mim mesma, por minha conta, sem mais questões, arrumar o quarto, arrumar a vida, escrever na agenda.

Tanta coisa que eu não disse.

Chegou a hora.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

E o sonho...


Sonhei com um mar violeta hoje. Cheio de peixinhos multicoloridos, com orelhas, para que os sorrisos sejam então de orelha a orelha. E eles sorriam. E nesse mar, coloquei todos os meus sonhos num barquinho, e o barquinho navegou, navegou, até chegar à ilha da alegria. E nessa ilha, todos se instruíam e se ajudavam, cantavam felizes, partilhavam tudo o que podiam e fechavam os olhos diante do calor do Sol, sentindo a presença de Deus em cada partícula de vida.


Que bom seria se o despertador não fizesse o meu barquinho voltar voando pro mundo dos vivos.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

E os brasileiros...

Ainda no tema da paranóia(que mais parece paranóia de tanto me flechar), resolvo cair numa real muito dolorosa. Real esta que poderia me fazer ainda mais sofrer se eu me recusasse a aceitar a sua existência, mas real dolorosa quando mesmo.

Brasil, terra do sol, das mais belas praias, dos carnavais multiculturais, de Cabral de Melo Neto, de Chico Buarque, meu e seu. Parece que a beleza desse país fica ainda mais evidente e cortante quando se está longe... E eu, tão estrangeira, tão perdida nesta terra primitiva, nesta cova grande para meu defunto parco. Mas o que mais me apunhala é a falta das pessoas, isso! O símbolo maior que o nosso Brasil possa ter: os brasileiros. Povo guerreiro, povo batalhador, povo sorridente, que mesmo com todas as mazelas e desigualdades não perde a alegria de viver. Povo honesto, povo amigo. Povo amigo.

E eu, tão estrangeira, comendo queijo numa colherinha de sorvete venho através deste anunciar que isso não me é verídico. Trata-se d'uma grande balela.

Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas é paranóico: está sempre a dizer que são perseguidos, que não fora atendido com mais educação na loja porque é brasileiro, que se não consegue emprego é por ser brasileiro, que a fulana é horrorosa e se veste muito mal, eu me visto melhor, que a comida deles é muito ruim, que deve ter veneno, que é sujo, que é feio, que nada presta, que tudo fará mal, que está aqui obrigado, que se pudesse, sairia correndo deste antro e voltaria para o lugar mais seguro do mundo, o Brasil.

Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas pôs-se a se queixar da vida do primeiro momento de conversa ao derradeiro. Pôs-se a reclamar, a reclamar, a explodir de bips: censurado. Pôs-se a pintar esta vida já tão cinza e amargurada num quadro ainda mais triste e deprimente. Pôs-se a vampirizar, a sugar as últimas gotas de esperança que meu coração saudoso de casa tem em se acostumar e levar uma vida menos paranóica nesta terra nova.

Pois é. Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas quis me mostrar que a vida na França(país em questão) é um verdadeiro campo de batalhas, onde brasileiros, franceses, árabes e suíços são todos inimigos, e onde só o próprio umbigo é digno de beleza sublime e perfeição entranhada.

E todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas me fez descontente, passando a desacreditar num possível elo de amizade, coisa que a gente prega pro mundo todo que é: amigo.

Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas me fez ver que o nosso país não é perfeito, e que as pessoas tem tantos e bem quantos defeitos, tais como os nossos conterrâneos. Que coisa ruim acontece em todo canto, que gente feliz tem em todo canto, que o sol brilha nos quatro cantos, que o meu cantinho pode ser here, there and everywhere.

Todo brasileiro no estrangeiro é paranóico. E pedante, e desinteressante, e esvaziado. E paranóico. E eu também peco. A começar pelas generalizações.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Medo, medo de esquecer a porta aberta, medo de não ter fechado a janela do quarto, e se o diretor da universidade não recebeu minha carta de confirmação? E se a vizinha me segue? E se o padre me segue, ele sempre nos olha com uma cara estranha, ele liga todas as luzes da cidade às 11h da noite quando eu passeio com a canina, e se ele colocou uma filmadora nos nossos cômodos? E quando eu for fazer cocô, com que cara meu avô vai me olhar la do céu? Com que cara, com que cara? Eu costumo fazer muita careta, Deus! E se ele descobrir quem eu sempre fui?

PÁRA, NÓIA!!!


A vida moderna me faz muito mal.




(Leia mais em http://pt.wikipedia.org/wiki/Paran%C3%B3ia)

E a Paranóia...


(Raul Seixas)


Quando esqueço a hora de dormir
E de repente chega o amanhecer
Sinto a culpa que eu não sei de que
Pergunto o que que eu fiz?
Meu coração não diz e eu...
Eu sinto medo!Eu sinto medo!


Se eu vejo um papel qualquer no chão
Tremo, corro e apanho pra esconder
Medo de ter sido uma anotação que eu fiz
Que não se possa ler
E eu gosto de escrever, mas...
Mas eu sinto medo! Eu sinto medo!


Tinha tanto medo de sair da cama à noite pro banheiro
Medo de saber que não estava ali sozinho porque sempre...Sempre... sempre...
Eu estava com Deus!Eu estava com Deus!Eu estava com Deus!
Eu tava sempre com Deus!


Minha mãe me disse há tempo atrás
Onde você for Deus vai atrás
Deus vê sempre tudo que cê faz
Mas eu não via Deus
Achava assombração, mas...
Mas eu tinha medo!
Eu tinha medo!


Vacilava sempre a ficar nu lá no chuveiro,
com vergonha
Com vergonha de saber que tinha alguém ali comigo
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro
Vendo fazer tudo que se faz dentro dum banheiro


Para...nóia


Dedico esta canção:Para Nóia!
Com amor e com medo (com amor e com medo)....
Com amor e com medo (com amor e com medo)....
Com amor e com medo (com amor e com medo)....

sexta-feira, 22 de junho de 2007

E a idade se fazendo presente...

Minha irmã sempre dizia que eu não ouviria Heavy Metal até o fim dos meus dias. Ela sabia o que a esperava: ou eu fechava a porta do quarto na cara dela e deixava James Hetfield mostrar que viera pra ficar, ou ria dum sorrisinho escasso e debochado. Pois é, o estourar de tímpanos faria sempre, sempre parte da minha quase agitada vida.
Pus então, nesta sexta-feira de junho de 2007 que Deus abençoou, uma bermuda de adulta, uma camisa de adulta, a coragem de sair somente penteando meus cabelos com os dedos. Abri a porta pro sol entrar, direção: Prefeitura. Sorrindo pros transeuntes, sorrindo pra vida, tão piegas de mim mesma, tão cheia de olhinhos dos meus 13 anos de Metallica.

- Desculpe, mas o seu visto ainda não pode ser renovado. Serão precisos 3 meses de espera.
- Euh, mas o senhor bem disse 1 mês.
- 1 mês se você se dirigir ao guichê. Enviar por carta leva 3 meses.
- Mas o guichê fica a 80km.
- Pois é.

Bom, saio eu, olhinhos dos meus 16 anos de insegurança, quase tropeço na calçada em reforma. O prefeito decidiu que, para trazer os jovens de volta ao vilarejo, é necessário reformar as calçadas. Talvez os ossos destes sejam mais resistentes às tropeçadas e às reclamações dos pedreiros.

- Olha por onde anda, menina.

Menina. E eu olho mesmo, o senhor bem deve ter razão. Eu devo melhor olhar por onde ando.

Pois bem, direção Farmácia, hora de pegar os resultados daquele bendito exame em que a enfermeira quase me mandou ir passear pras bandas de Raul Seixas.

"Bom, Bom, Madame Marc - ele bem disse Madame e os olhinhos se acenderam em dez anos de idade - aqui estão os exames, vejamos bem...er... Nada de inquietante - olhos de holofote, olhos da vida sempre amparada e do tudo está bem quando acaba bem...
"Menos mal..."
"Você trouxe o justificativo do plano de saúde?"
"Euh, eu devo ter esquecido em casa. Precisa mesmo?"
"Precisa. Ou você vai ter de pagar a totalidade do exame".

E a irresponsabilidade afunda meus ombros. Vou em casa buscar o infeliz do justificativo, passo acelerado, nem me importo com esse maldito sol escaldante, ou com esses velhinhos que andam a passo de tartaruga, rindo Deus sabe de que. Porque nada, absolutamente NADA tem a menor graça nessa cidade. Emili, 130 anos, drogada e prostituída.

Mais calma, retorno com o documento e colo os olhos no exame. Como assim, nada de inquietante? Como assim, Bial? Meu colesterol no limite, NO LIMITE, e esse Monsieur dizendo que não nada de inquietante?

"Tu vai ver, Emili, daqui a pouco tu cansa dessas musicas."

Bem como ela me disse que eu ainda pagaria pelos ketchups com pizza e pelos refrigerantes às 7h da matina, eu entrei em casa, 21 anos de idade, sentei no sofá e ouvi Chico Buarque.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

E o Coração Vagabundo.

Meu coração não se cansa
De ter esperança
De um dia ser tudo o que quer
Meu coração de criança
Não é só a lembrança
De um vulto feliz de mulher
Que passou por um sonho meu sem dizer adeus

E fez dos olhos meus um olhar mais sem fim

Meu coração vagabundo
Quer guardar o mundo em mim.

(Caetano)

E a Festa da Música.

Tudo sempre foi festa da música na minha quase agitada vida. Que sejam as festas em Piedade na casa de gente nunca vista antes, que sejam os passeios de calouradas, os carnavais com moedinhas contadas na companhia de Lucas, de Eddie, do vizinho barbudo, da minha solidão desbravadora. Das festas na casa de Max, da cara de chupa-cabra, das músicas de NIИ, do Antigo, do Antigo, do Antigo.
Tudo sempre foi festa da música, e todas as músicas tinham um sorriso diferente, um encontro diferente, uma menina de saia rodada que se chegava, um príncipe dos menos encantados, o medo de encontrar quem mais se queria ver. E lá ia eu, de meião de futebol, de Redley, de boina cor de vinho e um coração vagabundo a guardar a essência mais pura das festas da música.

E hoje, tenho convites, motor, tenho idade para trocar moedas por cédulas, tenho a chave de casa, tenho a casa, a festa do outro apartamento se arreganha para minha chegada.

Decisão tomada. Mensagem de texto, ligação, não vai dar.Tive um mal estar daqueles, a enfermeira quase injetou ar na minha veia, não estou podendo nem ir passear com a cachorra. Mas ano que vem tem mais, vai ser massa, supimpa, belezinha, da hora. A gente se vê no fim-de-semana?

Viva a festa da música. E viva a minha noite de solidão, recordações tão mais melodiosas que a mais real das festas da música.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

E a caixinha de glórias...

Porque o que se é mostrado é o melhor, mesmo o melhor do pior de mim. Porque todas as dores são medidas, todas as formas contrastadas e retocadas, todas as alegrias tão previamente sonhadas.

Caixa de glórias pelo que há de tão pior em mim. Através das mais belas coisas.