Agora era fatal, que o faz de conta terminasse assim...
Lutei, lutei tanto para saber o que eu realmente sentia. Se era o faz de conta que fazia de nós rei, rainha e suas canções, ou se era eu, retirante, que no suor do meio-dia, olharia sempre o companheiro com olhos de ternura e amor. Lutei cada dia para descobrir a razão de não largar essa terra fria e plácida pelo meu Recife encantado. A cada sorriso dele, eu corria pro sertão... A cada briga, eu me via sentada no trono, triste, sem minha vida em mãos.
Chorei e cantei por dias e noites. Pedi ao ponto luminoso que me mostrasse o caminho. Pedi ao meu coração para desvendar o mistério dos olhos azuis, que me dissesse se o amor existia, se tudo não era conto. Ou faz de conta.
Eu, nós dois e o pôr-do-sol, nós dois e os planos pro futuro. Nunca obtive resposta alguma, talvez fosse da vida, talvez, se amor fosse, se amor se fosse, seria cheio das incertezas... Obrigada a andar sobre uma fina corda, sobre a imensidão de uma queda atrativa.
Agora era fatal, que o faz de conta começasse assim.
Eu louca, eu assim, num dia de sol, colhendo avelãs, vendo ele quase caindo, escorregando nas folhas caídas, a canina correndo feliz pelo campo. Medíocre como o castelo e os retirantes, em toda a sua glória e desgraça jamais poderiam ser. Ouvi a voz do meu coração pela toute primeira vez.
É, é ele sim. E não resta a menor das inquietudes.
Tanta coisa vai se desenhando pelos meus dias...Uma vontade louca de ser pragmática, lenta, sorridente, contraditória. Uma vontade louca de contar para todo mundo as mil e uma facetas recentemente descobertas no meu ser. A vontade de sumir no mundo, de cair em mim, de cair no meu amor, de deixar a vida fazer de mim o que bem quiser. Vontade de fazer, fazer, por mim mesma, por minha conta, sem mais questões, arrumar o quarto, arrumar a vida, escrever na agenda.