
Ano novo, vida nova?
Todo mundo tem aquela de acreditar que os bons ventos do ano novo vão soprar fortemente em nossas vidas. Será que sopram mesmo?
Aqui, desde a virada do ano, só tem soprado vento forte, vento frio. Em 4 anos, nunca tive tanto frio, na rua. Passeio o cachorro bem rápido; ela já entendeu. Um xixizinho aqui, um popozinho acolá, antes que eu perca a paciência com meus óculos embaçados e volte pra casa, necessidades não satisfeitas.
Pela primeira vez, em 4 anos, decidi pintar as unhas dos pés, colocar meias e calçar pantufas. Comecei a acreditar que um chá bem quente com limão e mel protege a garganta. Nem passei horas tentando achar um caderno estilo brasileiro, com linhas. Comprei daqueles com quadradinhos mesmo. Não vejo a hora de xingar o despertador, todo dia de manhã.
Pela primeira vez, em 4 anos, levando uma vidinha normal, depois de uma rompida bem normal, sem rituais, acordei pensando que a brisa quente do ano novo vai soprar, sim. Adeus, ano velho. Feliz ano novo. Que algumas boas coisas se realizem no ano que vai chegar. Que outras fiquem pra trás, mostrando que a vida é perfeita. Bem muito dinheiro no bolso, que eu tou com saudade da minha mãe. Saúde pra dar, vender e emprestar. Estou me sentindo cada vez mais chez moi dentro de mim.
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