Ainda no tema da paranóia(que mais parece paranóia de tanto me flechar), resolvo cair numa real muito dolorosa. Real esta que poderia me fazer ainda mais sofrer se eu me recusasse a aceitar a sua existência, mas real dolorosa quando mesmo.
Brasil, terra do sol, das mais belas praias, dos carnavais multiculturais, de Cabral de Melo Neto, de Chico Buarque, meu e seu. Parece que a beleza desse país fica ainda mais evidente e cortante quando se está longe... E eu, tão estrangeira, tão perdida nesta terra primitiva, nesta cova grande para meu defunto parco. Mas o que mais me apunhala é a falta das pessoas, isso! O símbolo maior que o nosso Brasil possa ter: os brasileiros. Povo guerreiro, povo batalhador, povo sorridente, que mesmo com todas as mazelas e desigualdades não perde a alegria de viver. Povo honesto, povo amigo. Povo amigo.
E eu, tão estrangeira, comendo queijo numa colherinha de sorvete venho através deste anunciar que isso não me é verídico. Trata-se d'uma grande balela.
Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas é paranóico: está sempre a dizer que são perseguidos, que não fora atendido com mais educação na loja porque é brasileiro, que se não consegue emprego é por ser brasileiro, que a fulana é horrorosa e se veste muito mal, eu me visto melhor, que a comida deles é muito ruim, que deve ter veneno, que é sujo, que é feio, que nada presta, que tudo fará mal, que está aqui obrigado, que se pudesse, sairia correndo deste antro e voltaria para o lugar mais seguro do mundo, o Brasil.
Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas pôs-se a se queixar da vida do primeiro momento de conversa ao derradeiro. Pôs-se a reclamar, a reclamar, a explodir de bips: censurado. Pôs-se a pintar esta vida já tão cinza e amargurada num quadro ainda mais triste e deprimente. Pôs-se a vampirizar, a sugar as últimas gotas de esperança que meu coração saudoso de casa tem em se acostumar e levar uma vida menos paranóica nesta terra nova.
Pois é. Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas quis me mostrar que a vida na França(país em questão) é um verdadeiro campo de batalhas, onde brasileiros, franceses, árabes e suíços são todos inimigos, e onde só o próprio umbigo é digno de beleza sublime e perfeição entranhada.
E todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas me fez descontente, passando a desacreditar num possível elo de amizade, coisa que a gente prega pro mundo todo que é: amigo.
Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas me fez ver que o nosso país não é perfeito, e que as pessoas tem tantos e bem quantos defeitos, tais como os nossos conterrâneos. Que coisa ruim acontece em todo canto, que gente feliz tem em todo canto, que o sol brilha nos quatro cantos, que o meu cantinho pode ser here, there and everywhere.
Todo brasileiro no estrangeiro é paranóico. E pedante, e desinteressante, e esvaziado. E paranóico. E eu também peco. A começar pelas generalizações.
quarta-feira, 27 de junho de 2007
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1 comentários:
Oi Glória,
Topei com seu blog através do Orkut. E já pus nos meus favoritos!
Seu tópico da paranóia brazuca me remeteu à campanha da Associacao Brasileira de Anunciantes http://www.aba.com.br/omelhordobrasil/.
Por outro lado, mudar de país muitas vezes significa se perder um oouco. Nao se encaixar no lugar de origem e ter que "nascer" de novo na pátria escolhida, com todas as frustracoes que isso implica. Acho que daí vem a paranóia!
Visite meu blog também. Adorei o seu.
Beijos,
Clarisse
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