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Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Do show

Hoje à noite, Flavien faz um showzinho. Ele me convidou para cantar 2 canções com ele. Fiquei bem feliz com o convite. Eu esperava que ele me convidasse, mas eu bem imagino que meus olhos brilharam quando ele me perguntou "Euh... ça te dit de chanter un ou deux morceaux avec moi ?".


Ele já saiu de casa, p'ra passagem de som. Eu prefiro ficar um pouco mais, fazer companhia à canina, aproveitar meu último sábado de férias de pernas pro ar. Mas, antes de sair, a gente ensaiou as duas músicas.


A primeira se chama Dexter. Sim, fãs do seriado, o nome é em homenagem ao serial killer mais adorável do planeta. Eu ouvi a melodia, abri a primeira página do livro "Darkly dreaming Dexter" e comecei a cantar o que estava escrito:




"MOON. GLORIOUS MOON. FULL, FAT, REDDISH moon, the night as light as day, the moonlight flooding down across the land and bringing joy, joy, joy".


Flavien gostou da idéia, e enquanto eu cantava, abriu a página 12, e começou a recitar a passagem onde Dexter assassina um padre pedófilo. Booooh...!

Juro que a gente nunca é dessas coisas, de pseudo gótico enviado de Satã, mas Dexter é Dexter.

Gravamos a música, colocamos pra repetir, fui buscar duas velas no armário. A gente acende, senta, e fica olhando um para o outro, até a música acabar.

"Tu crois qu'ils vont bien aimer si on fait ça ce soir ?"
"Ouais, ils vont adorer, fais mon confiance."


Não faço a menor idéia se os espectadores vão gostar dessa coisa meio louca que a gente inventou 7 horas antes do show. Eu até acho que o povo vai olhar pra gente com uma cara de "hein?". Mas eu quero é história pra contar pros meus netos.


Eu gosto muito de cantar com Flavien, com o jeito tímido dele no palco, a tremedeira nas pernas, a falta de coragem de encarar o público. Toda a grandeza de Flavien in concert vem dessa honestidade de menino dele.


Kataplismik feat. Bezzoli


Hoje à noite, em Rennes, no Elaboratoire. Ninguém que vem aqui vai poder ir ao show, bem sei. Mas eu escrevo assim mesmo, por princípio.

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Holiday



Ano novo, vida nova?


Todo mundo tem aquela de acreditar que os bons ventos do ano novo vão soprar fortemente em nossas vidas. Será que sopram mesmo?


Aqui, desde a virada do ano, só tem soprado vento forte, vento frio. Em 4 anos, nunca tive tanto frio, na rua. Passeio o cachorro bem rápido; ela já entendeu. Um xixizinho aqui, um popozinho acolá, antes que eu perca a paciência com meus óculos embaçados e volte pra casa, necessidades não satisfeitas.


Pela primeira vez, em 4 anos, decidi pintar as unhas dos pés, colocar meias e calçar pantufas. Comecei a acreditar que um chá bem quente com limão e mel protege a garganta. Nem passei horas tentando achar um caderno estilo brasileiro, com linhas. Comprei daqueles com quadradinhos mesmo. Não vejo a hora de xingar o despertador, todo dia de manhã.


Pela primeira vez, em 4 anos, levando uma vidinha normal, depois de uma rompida bem normal, sem rituais, acordei pensando que a brisa quente do ano novo vai soprar, sim. Adeus, ano velho. Feliz ano novo. Que algumas boas coisas se realizem no ano que vai chegar. Que outras fiquem pra trás, mostrando que a vida é perfeita. Bem muito dinheiro no bolso, que eu tou com saudade da minha mãe. Saúde pra dar, vender e emprestar. Estou me sentindo cada vez mais chez moi dentro de mim.

Sábado, 29 de Setembro de 2007

E o meu grupo musical...


Propaganda vale?




Amor meu, música, guitarras, teclados, vozes e meus sopros pra esse mundão de Deus.

Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Maria e João.

Agora era fatal, que o faz de conta terminasse assim...

Lutei, lutei tanto para saber o que eu realmente sentia. Se era o faz de conta que fazia de nós rei, rainha e suas canções, ou se era eu, retirante, que no suor do meio-dia, olharia sempre o companheiro com olhos de ternura e amor.
Lutei cada dia para descobrir a razão de não largar essa terra fria e plácida pelo meu Recife encantado. A cada sorriso dele, eu corria pro sertão... A cada briga, eu me via sentada no trono, triste, sem minha vida em mãos.

Chorei e cantei por dias e noites. Pedi ao ponto luminoso que me mostrasse o caminho. Pedi ao meu coração para desvendar o mistério dos olhos azuis, que me dissesse se o amor existia, se tudo não era conto. Ou faz de conta.

Eu, nós dois e o pôr-do-sol, nós dois e os planos pro futuro.
Nunca obtive resposta alguma, talvez fosse da vida, talvez, se amor fosse, se amor se fosse, seria cheio das incertezas... Obrigada a andar sobre uma fina corda, sobre a imensidão de uma queda atrativa.

Agora era fatal, que o faz de conta começasse assim.

Eu louca, eu assim, num dia de sol, colhendo avelãs, vendo ele quase caindo, escorregando nas folhas caídas, a canina correndo feliz pelo campo. Medíocre como o castelo e os retirantes, em toda a sua glória e desgraça jamais poderiam ser. Ouvi a voz do meu coração pela toute primeira vez.

É, é ele sim. E não resta a menor das inquietudes.

E eu adoro ser a tua Maria, João.


João e Maria.

Tanta coisa vai se desenhando pelos meus dias...Uma vontade louca de ser pragmática, lenta, sorridente, contraditória. Uma vontade louca de contar para todo mundo as mil e uma facetas recentemente descobertas no meu ser. A vontade de sumir no mundo, de cair em mim, de cair no meu amor, de deixar a vida fazer de mim o que bem quiser. Vontade de fazer, fazer, por mim mesma, por minha conta, sem mais questões, arrumar o quarto, arrumar a vida, escrever na agenda.

Tanta coisa que eu não disse.

Chegou a hora.

Sexta-feira, 29 de Junho de 2007

E o sonho...


Sonhei com um mar violeta hoje. Cheio de peixinhos multicoloridos, com orelhas, para que os sorrisos sejam então de orelha a orelha. E eles sorriam. E nesse mar, coloquei todos os meus sonhos num barquinho, e o barquinho navegou, navegou, até chegar à ilha da alegria. E nessa ilha, todos se instruíam e se ajudavam, cantavam felizes, partilhavam tudo o que podiam e fechavam os olhos diante do calor do Sol, sentindo a presença de Deus em cada partícula de vida.


Que bom seria se o despertador não fizesse o meu barquinho voltar voando pro mundo dos vivos.

Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

E os brasileiros...

Ainda no tema da paranóia(que mais parece paranóia de tanto me flechar), resolvo cair numa real muito dolorosa. Real esta que poderia me fazer ainda mais sofrer se eu me recusasse a aceitar a sua existência, mas real dolorosa quando mesmo.

Brasil, terra do sol, das mais belas praias, dos carnavais multiculturais, de Cabral de Melo Neto, de Chico Buarque, meu e seu. Parece que a beleza desse país fica ainda mais evidente e cortante quando se está longe... E eu, tão estrangeira, tão perdida nesta terra primitiva, nesta cova grande para meu defunto parco. Mas o que mais me apunhala é a falta das pessoas, isso! O símbolo maior que o nosso Brasil possa ter: os brasileiros. Povo guerreiro, povo batalhador, povo sorridente, que mesmo com todas as mazelas e desigualdades não perde a alegria de viver. Povo honesto, povo amigo. Povo amigo.

E eu, tão estrangeira, comendo queijo numa colherinha de sorvete venho através deste anunciar que isso não me é verídico. Trata-se d'uma grande balela.

Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas é paranóico: está sempre a dizer que são perseguidos, que não fora atendido com mais educação na loja porque é brasileiro, que se não consegue emprego é por ser brasileiro, que a fulana é horrorosa e se veste muito mal, eu me visto melhor, que a comida deles é muito ruim, que deve ter veneno, que é sujo, que é feio, que nada presta, que tudo fará mal, que está aqui obrigado, que se pudesse, sairia correndo deste antro e voltaria para o lugar mais seguro do mundo, o Brasil.

Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas pôs-se a se queixar da vida do primeiro momento de conversa ao derradeiro. Pôs-se a reclamar, a reclamar, a explodir de bips: censurado. Pôs-se a pintar esta vida já tão cinza e amargurada num quadro ainda mais triste e deprimente. Pôs-se a vampirizar, a sugar as últimas gotas de esperança que meu coração saudoso de casa tem em se acostumar e levar uma vida menos paranóica nesta terra nova.

Pois é. Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas quis me mostrar que a vida na França(país em questão) é um verdadeiro campo de batalhas, onde brasileiros, franceses, árabes e suíços são todos inimigos, e onde só o próprio umbigo é digno de beleza sublime e perfeição entranhada.

E todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas me fez descontente, passando a desacreditar num possível elo de amizade, coisa que a gente prega pro mundo todo que é: amigo.

Todo brasileiro que eu encontrei por essas bandas me fez ver que o nosso país não é perfeito, e que as pessoas tem tantos e bem quantos defeitos, tais como os nossos conterrâneos. Que coisa ruim acontece em todo canto, que gente feliz tem em todo canto, que o sol brilha nos quatro cantos, que o meu cantinho pode ser here, there and everywhere.

Todo brasileiro no estrangeiro é paranóico. E pedante, e desinteressante, e esvaziado. E paranóico. E eu também peco. A começar pelas generalizações.